25 novembre 2008

Il nuovo disco radiofonico di Cesaria

Una bella notizia per gli appassionati della inimitabile voce di Cesária Évora, in questi giorni a Lisbona per interpretare le canzoni del nuovo album Rádio Mindelo, in uscita per l'etichetta Lusafrica. E anche per gli appassionati di radio. I brani del nuovo lavoro della cantante caboverdiana sono tutte "coladeras" recuperate da registrazioni dei primi anni Sessanta effetuate a Radio Barlavento, di Mindelo. Tanti e tanti anni fa Barlavento era una delle emittenti più ambite dell'Africa, trasmetteva sui 3960 kHz, difficile da ascoltare in una porzione delle bande tropicali delle onde corte, i 75 metri, condivisa con potenti emittenti europee (tra cui la Svizzera) che saturavano i nostri mediocri ricevitori.
Fatevi un regalo. Mollate tutto, soprattutto i guai e le preoccupazioni e andate sullo spazio MySpace di Cesária. Oppure direttamente su questo sito non ufficiale francese del disco. Su MySpace trovate quattro brani.
Il primo è Mar Azul:
O Mar
Deta quitinho, bô dixam bai

Bô dixam bai spia nha terra

Bô dixam bai salva nha Mãe...

O Mar
Mar azul, subi mansinho
Lua cheia lumiam caminho
Pam ba nha terra di meu

São Vicente pequinino,

Pam ba braça nha cretcheu.

Oh... Mar, anô passá tempo corrê

Sol raiá, lua sai

A mi ausente na terra longe...
O Mar.
Qui di seguito due articoli sugli eventi lisbonesi legati al lancio di Radio Mindelo in Portogallo e una breve intervista alla cantante, che si era esibita a Milano la scorsa estate.

Jornal da Madeira / Cultura / 2008-11-25

Cesária Évora regressa a Lisboa

A cantora cabo-verdiana Cesária Évora actua quarta-feira em Lisboa, onde interpretará apenas canções que marcaram o começo da sua carreira e que foram reunidas no álbum "Rádio Mindelo", a editar este mês.

Cesária Évora regressa a palcos portugueses, quarta-feira no cinema São Jorge, pela primeira vez depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral em Março, que a obrigou a reduzir o número de concertos da digressão internacional.
Ana José Charrua, da produtora Tumbao, explicou à agência Lusa que o concerto em Lisboa será diferente daquilo que Cesária Évora tem feito, já que se tentará recriar o ambiente das sessões que a cantora gravou quanto tinha vinte anos para a Rádio Barlavento, no Mindelo, Cabo Verde.
Em palco, Cesária Évora estará acompanhada de um grupo de músicos escolhidos de propósito para este concerto, entre os quais o guitarrista Armando Tito que participou nas gravações feitas nos anos 1960 em Cabo Verde.
O álbum "Rádio Mindelo", a editar pela Lusáfrica, reúne 22 coladeras recuperadas de bobinas gravadas pela Rádio Barlavento entre 1962 e 1964 e que registam o começo da carreira de Cize, na altura com 20 anos.
À época alguns temas foram editados em formato 45 rotações, mas a maioria das músicas são inéditas em registo discográfico, grande parte compostos por Frank Cavaquim e Gregório Gonçalves (Ti Goy), que apadrinhou o começo da carreira de Cesária Évora. De "Rádio Mindelo" fazem parte temas como "Cize", "Terezinha", "Sangue di Beirona" e "Caminho de São Tomé".
No "booklet" que acompanha a edição de "Rádio Mindelo", a Lusáfrica sublinha "o prazer de descobrir a voz 'jovem' de Cesária, onde podemos reconhecer o fraseado, as entoações e essa suavidade que ela conservou até hoje e que constituem uma das razões do seu extraordinário sucesso". Depois de recuperada do leve acidente vascular cerebral, Cesária Évora actuou este ano na Rússia e nos Estados Unidos, mas reduziu o número de concertos durante o Verão por ordem médica.
A cantora, natural do Mindelo, na ilha de São Vicente, tornou-se internacionalmente conhecida há vinte anos com a edição do álbum "La Diva aux pieds nus" (1988).
Desde então Cesária Évora já editou mais de uma dezena de álbuns, estando incluída em várias colectâneas de "world music" e sendo considerada pela crítica especializada "a rainha da morna", canção tradicional cabo-verdiana. Em 2004, venceu o Grammy de "Melhor Álbum World Music Contemporâneo" com "Voz d'Amor". Cesária Évora é embaixadora de boa vontade da Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), e foi condecorada, no ano passado, pelo então Presidente francês Jaques Chirac com a Legião de Honra de França.

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segunda-feira, 24 de Novembro de 2008
Cesária Évora, a vida entre o Mindelo e o mundo

Cesária Évora começou a sua carreira em Cabo Verde, há quarenta anos, quando gravou para a Rádio Barlavento, mas o estatuto de «diva da morna» só foi conquistado há duas décadas em França, recordou hoje a própria em entrevista à agência Lusa.
«Tudo de mim começou em França, mas não fui eu que escolhi», disse hoje a cantora cabo-verdiana em Lisboa, nas vésperas de um concerto, quarta-feira, no cinema São Jorge, onde irá apresentar a colectânea «Rádio Mindelo».
«Quem me levou foi um cabo-verdiano que cresceu em França, o José da Silva [actual agente e produtor]. Levou-me para cantar para a comunidade cabo-verdiana e para o festival Angoulême e as pessoas começaram a interessar-se pela minha música, houve muitas entrevistas e comecei a gravar«, disse Cesária Évora.
Esse momento, em que a carreira de Cesária Évora ultrapassou as fronteiras do Mindelo, ocorreu em finais dos anos 1980, quando saiu o álbum »La Diva aux pieds nus«, mas a cantora levava já muitos anos dedicados à morna e à coladera.
Nos anos 1960, »Cize« foi convidada a fazer algumas gravações para a Rádio Barlavento, as que são agora recuperadas para o álbum »Rádio Mindelo«, que a Lusáfrica edita esta semana.
À época, com pouco mais de vinte anos, Cesária Évora recorda que as sessões naquela rádio foram »uma grande experiência« para o seu começo de carreira.
«Estavam a ouvir falar de várias Cesárias que cantavam em Cabo Verde e tinham dúvidas sobre quem era quem e então convidaram-me para gravar», disse.
«Terezinha«, »Vaquinha mansa«, »Sangue di Beirona« e »Caminho de São Tomé« são algumas das 22 canções que gravou entre 1962 e 1964 e que promete recuperar para o concerto de quarta-feira.
A essas gravações, Cesária Évora juntou ainda a experiência de ir cantando mornas em bares e nos navios, alguns deles portugueses, que passavam por Cabo Verde.
«É muito difícil viver da minha arte em Cabo Verde, mas eu tive sempre sorte, as pessoas chamavam-me, tinha sempre uma equipa, tocava em casas particulares, em bares e muitas vezes em barcos. Foi assim que eu comecei a tomar a sério a minha carreira no mundo musical», afirmou.
É desses primeiros tempos no Mindelo que se mantém a tradição de cantar descalça: «Trabalho descalça para qualquer casa, qualquer recepção, qualquer lugar. Sempre com o pé no chão», o chão quente de Cabo Verde e que - diz - nunca a fez sentir frio.
Apesar dos problemas de saúde que teve este ano, e que a obrigaram a ficar parada durante alguns meses, Cesária Évora diz estar em forma aos 67 anos e que quando decidir parar será em definitivo.
«Eu não tenho ideia de parar. Quero ficar durante mais algum tempo, porque não tenho mais nada que fazer. Quando decidir parar em digo e paro de uma vez por todas. Não será parar para recomeçar«, avisou.
Para já, entre concertos, está a preparar um novo álbum de originais, sucessor de »Rogamar«, e que deverá sair em Abril de 2009 pela Lusáfrica.
Quanto ao futuro da música cabo-verdiana, que ajudou a divulgar, a »rainha da morna« diz que o sucesso dos novos artistas não está só nas mãos deles.
«Temos muitos artistas, mas a decisão não é dos artistas, é do público, se gosta ou não gosta. Devemos guardar as raízes da nossa música, mas o público é que decide».
Diário Digital / Lusa


1 commento:

decorazionisegrete ha detto...

grande cesaria evora...inimitabile ed unica!