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13 marzo 2011

Un radiodramma scuola di democrazia in Mozambico

Dopo una guerra civile quasi ventennale che ha devastato - come avvenne in Angola, dove i combattimenti durarono anche di più - l'ex colonia portoghese di Moçambique, lo stato africano affacciato sull'Oceano Indiano vive da parecchio tempo una condizione di stabilità, ma i suoi abitanti non sono abituati ad avere a che fare con i vantaggi (e le responsabilità) della democrazia: la partecipazione, la libertà di espressione, la trasparenza pubblica. Per stimolare la familiarità con questi concetti, spiegarli, farne apprezzare il valore, l'organizzazione Community Media for Development, una società di produzione radiofonica specializzata in storie e radiodrammi di formazione sociale, metterà in onda attraverso le emittenti comunitarie del Mozambico un "radio-film" in 13 puntate realizzato in lingua portoghese e nelle due lingue locali changaan e sena. "Madjuba, alla ricerca del talismano" è una sorta di Decamerone fatto di storie raccontate alla sera, intorno al fuoco di una piccola comunità. Le storie trasportano uno degli abitanti del villaggio, Arlindo, in un magico mondo in cui Arlindo diventa l'eroe Chamwari, incaricato di riportare stabilità, il talismano appunto, in un mondo disordinato. Attraverso le situazioni descritte intorno alle sue avventure, tutta la comunità impara a utilizzare lo strumento del dialogo e della partecipazione e a capire che questo dialogo può davvero cambiare le cose.
Riporto qui il comunicato stampa relativo al rilascio di questo serial radiofonico, patrocinato anche dall'UNESCO. La pagina dedicata a Madjuba sul sito del CMFD è piena di ulteriori dettagli. Ringrazio Emanuele Manni per avermi segnalato questa produzione. La storia di Madjuba mi ha ricordato gli anni in cui era ancora possibile ascoltare in banda tropicale, sulle onde corte, una nazione dal glorioso passato radiofonico, tipico peraltro delle colonie portoghesi. Vi suggerisco a questo proposito il bellissimo sito dedicato alla storia di Lourenço Marques Radio, la prima emittente commerciale africana, nata quando ancora la capitale mozambicana Maputo era intitolata al navigatore rievocato, insieme ad altri, nell'epopea cinquecentesca Os Lusíadas.
Madjuba: Quest for the Talisman

Mozambique’s first adventure-fantasy serial radio drama will soon be hitting the airwaves at a community radio station near you! Madjuba: Quest for the Talisman is an action-packed 13-part radio drama available in Portuguese, Changaan, and Sena, initiated by UNESCO with support form SIDA, produced by CMFD (Community Media for Development) Productions.
Follow the tale of a community that gathers nightly around the fire to hear a wise storyteller weave a tale of adventure and fantasy. Little do they know that the magic of the story has transported their stubborn neighbor Arlindo to a far off fantasy world where he has become the unwitting long-awaited hero, Chamwari. As Chamwari seeks the talisman that will transform the land, the village listeners realise that they too have the power to speak up and help make the changes in their community they want to see.
The drama was produced as part of UNESCO’s, Strengthening Local Development in Mozambique through Expanded Access to Information and Communication programme. “The drama is an entertaining look at how people can be part of local governance and development,” says Noel Chicuecue of UNESCO.
Over the course of the story the hero, along with his allies, travel though different lands, each with a task or problem to overcome related to key governance issues: accountability/ transparency, civic participation and the need for a strong civil society, freedom of expression, and political intolerance. Many of the characters were inspired by Mozambican folklore – for example, the fallen King has characteristics of the Lion, and the dark force speaks and acts like the Mamba. The mystical Storyteller becomes the narrator, who helps move the story along, and explain events.
The large-scale production involved over 50 local actors and recordings took place in Maputo and Beira. The script was drafted by talented scriptwriter Evaristo Abreu, who has over 25 years experience in the field of drama. Since 1984 he has directed and performed in about 100 conventional and community plays produced by the Tchova Xita Duma, Mutumbela Gogo and Mbêu theatre groups, as well as participated in festivals and conferences in Europe, Brazil, southern Africa and the Maghreb, including producing the Festival International de Teatro D’Agosto from 1999 to 2005.
The drama is part of UNESCO’s mission is to contribute to the building of peace, the eradication of poverty, sustainable development and intercultural dialogue through education, the sciences, culture, communication and information.

Questo è il trailer in lingua portoghese:


28 giugno 2008

Una radionovela per il vero dramma della schiavitù sessuale

Troco/Dealers, una radionovela prodotta in Sudafrica in lingua portoghese e inglese da Community Media for Development, racconta le drammatiche storie vere del traffico di esseri umani, soprattutto giovani che vengono fatte prostituire, verso il Sud Africa. Lo show è già in onda in Mozambico e in Zambia, dove la radio è molto seguita e il messaggio passa più facilmente. Il produttore ha un nome italiano e a quanto leggo su Google potrebbe essere il figlio di un manager italiano della Silicon Valley e ha studiato a Princeton. Lavora anche per la Fondazione Lurdes Mutola a Maputo.

MOÇAMBIQUE: Pela rádio, os perigos da vida real

JOHANNESBURG, 27 Junho 2008 (PlusNews) - A nossa conversa pelo telefone é interrompida por uma manchete no jornal do dia.

Gabriel Fossati-Bellani, coordenador da organização não-governamental sul-africana Mídia Comunitária para Desenvolvimento (CMFD, em inglês) em Moçambique, lê em voz alta: “Jovens instrumentalizadas aguardam regresso à casa”.
A notícia é sobre três jovens moçambicanas traficadas de Maputo a Pretória, capital sul-africana, onde foram vítimas de exploração sexual.
Segundo o artigo, as raparigas “estão completamente recuperadas do trauma psicológico e físico causado durante os dois meses em que estiveram no cativeiro.”
Bellani não consegue esconder a indignação.
“Como elas podem estar ´completamente recuperadas`? Isso desvaloriza o tipo de trauma que pode acontecer para uma traficada e minimiza o mal desse tipo de acontecimento”, protesta.
Bellani sabe do que fala. Ele é o coordenador do programa Troco, uma rádionovela lançada, em Moçambique, este mês e que trata exactamente do tráfico de pessoas.
Na trama, uma rapariga é aliciada pelo tio, com a promessa de um emprego numa loja de roupas na África do Sul. Ela acaba por ser traficada e explorada sexualmente, até que a sua mãe e a tia descobrem o que acontece e vão buscá-la.
Com a ajuda de uma assistente social da Organização Internacional para as Migrações (OIM), ela é resgatada. Uma amiga da protagonista, também traficada e a trabalhar num bordel clandestino, descobre estar grávida e ser seropositiva.

HIV na trama

Apesar de não ser o tema principal, a inclusão do HIV na história explicita os riscos trazidos pela migração, especialmente a ilegal.
“A pessoa fica dependente de quem ajuda e fica exposta a abusos, inclusive sexual, o que traz o risco de infecção pelo HIV”, explica Nely Chimedza, coordenadora do Programa de Assistência Contra o Tráfico na África Austral da OIM.
Segundo Chimedza, a maioria das vítimas dos traficantes são raparigas entre 16 e 25 anos, que acreditam que terão emprego ou oportunidade de estudo noutro país.
''A pessoa fica dependente de quem ajuda e fica exposta a abusos, inclusive sexual, o que traz o risco de infecção pelo HIV.''
O relatório Sedução, Venda e Escravatura: Tráfico de Mulheres e Crianças para a Exploração Sexual na África Austral, publicado pela OIM em 2003, identificou Moçambique como um dos principais países de onde mulheres e crianças são traficadas para a África do Sul.
“A trama é representativa do que acontece na realidade”, diz Chimedza.
Idealizada para ser transmitida na Zâmbia e em Moçambique e originalmente escrita em inglês, a rádionovela teve que ser adaptada à realidade moçambicana, tanto em termos de linguagem quanto em aspectos culturais.
O novo roteiro passou pelo crivo de grupos focais, formados por representantes da mídia e do público, para avaliar se a linguagem e a forma de difusão eram adequadas.
O tema delicado não assustou os 18 actores envolvidos no programa, que já estavam acostumados a trabalhar com questões difíceis, mas era a primeira vez que representavam uma trama sobre o tráfico humano.
“Ouvíamos falar coisas através da Internet e sabíamos que esse problema existia”, explica Carlos Chirindza, director artístico do programa e representante da Companhia Cultural Hopangalatana. “Mas não sabíamos que era nesse nível.”
“Incluir o HIV nessa trama é importante, mesmo que não com destaque. Só o facto de se falar do assunto já leva as pessoas a pensarem”, diz.

Meio mais eficaz

Chirindza, que também trabalha com outras formas de expressão, como teatro, acredita que a rádio é extremamente eficaz.
“A rádionovela tem muito impacto, porque ainda se ouve muito rádio aqui. Existem muitas zonas com rádios comunitárias”, destaca Chirindza.
Segundo Chimedza, da OIM, a rádio é o meio mais apropriado para atingir o público-alvo de Troco: pessoas vulneráveis e de poucas posses, que possam ser vítimas do tráfico de humanos.
O programa será transmitido inicialmente por rádios de Maputo. Serão dois episódios por semana, num total de 13 semanas. Cada capítulo dura cerca de seis minutos.
Resgatada, a protagonista de Troco volta a Moçambique e retoma a sua vida, com o apoio da família e da comunidade. Mas a vida real é mais dura do que na rádio.
“Depois que a vítima volta, a reintegração é difícil e exige aconselhamento. Várias delas têm vergonha, porque muitos pensam que as vítimas do tráfico são pessoas de vida fácil”, diz Chimedza.
O HIV é uma das dificuldades, já que muitas raparigas são abusadas sexualmente e são obrigadas a trabalhar em bordéis.
“Nós sempre aconselhamos que elas façam o teste de HIV”, conta.
Já existe interesse em ampliar a transmissão de Troco para outros países lusófonos em África a partir da RDP-África, em Lisboa.
(IRIN PlusNews)